quarta-feira, 22 de setembro de 2010

ALUNO - construtor do seu próprio conhecimento?

Considerar o aluno como indivíduo, único, deveria ser o foco de cada professor em sua sala de aula e da escola enquanto lugar onde ocorre o ensino formal.

A aprendizagem não está restrita à escola, mas acontece em diferentes situações. Vygotsky afirma que a aprendizagem da criança começa muito antes da aprendizagem escolar e que esta não parte do zero. Assim, quando o aluno chega à escola, ele não vai sozinho, mas leva consigo uma bagagem que contém vivências, experiências, conhecimentos, emoções únicas e decorrentes do contexto sócio-afetivo-cultural de cada um. Olhar todos os alunos da mesma forma e tratá-los como se todos fossem iguais, com os pré-requisitos necessários à aprendizagem no mesmo nível, é um equívoco ainda hoje cometido pela escola. A escola, e, por conseguinte, o professor, precisa ter em conta as características individuais de cada aluno enquanto sujeito construtor do seu próprio conhecimento. Precisa conhecer o eixo histórico, constituído da construção geral do indivíduo nos diferentes momentos. Precisa entender que cada aluno é um sujeito que representa um caminho próprio que a ser descoberto e respeitado. Precisa considerar os inúmeros fatores que interferem nesse processo, que envolve indivíduos únicos com suas reações únicas. Personalidade, traços de personalidade, estados de personalidade, estilo cognitivo, modalidade de aprendizagem, motivação, interesse, humor, atitude, todos igualmente importantes, são fatores que devem estar no cerne da ação de educadores comprometidos com o desenvolvimento de pessoas – estudantes – como ser integral, não fragmentado, não compartimentado – família, escola, lazer...

A maneira como cada um interage com o mundo, os tipos de informação que naturalmente percebe, lembra e enfatiza, a maneira como toma decisões e organiza seu mundo, são características, que embora diferentes em cada indivíduo, podem ajudar o professor a compreender porque a aprendizagem acontece de forma diferente em cada pessoa. O professor precisa entender cada aluno e seu comportamento. A escola não pode estar parada no tempo ou voltada para o passado enquanto “seus alunos vivem intensamente o presente e o futuro com novos critérios de valor no contexto cultural. Triste é a escola que não acompanha o mundo de hoje, ignorando aquilo que o aluno já vivencia fora dela. Transforma aquele que inteligentemente a questiona e que saudavelmente se recusa a buscar um conhecimento parado no tempo num portador de problemas de aprendizagem”.(WEISS, 2004, p.18)

Wallon propõe uma escola que “reflita acerca de suas dimensões sócio-políticas e aproprie-se do seu papel no movimento de transformações da sociedade,... engajada e inserida na sociedade e na cultura... comprometida com o desenvolvimento de indivíduos numa mesma prática que interage a dimensão social e individual” (Galvão 2004,p.113), e que tenha como meta, além do desenvolvimento intelectual, a pessoa como um todo.

O professor, elemento organizador indispensável nesse contexto porque é o “mediador, o facilitador, o catalisador do processo da aprendizagem” (MORETTO, 2003, p. 37), precisa entender cada aluno e seu comportamento. Para tanto é necessário ter em mente que são muitos os fatores que determinam a ação e reação do aluno e que são inúmeras as influências que agem sobre cada um, nos diferentes contextos de sua vida.

Assim, a escola deve respeitar cada estudante em sua individualidade, compreendendo seus porquês antes de atribuir-lhe qualquer rótulo, sabendo que cada um se constrói de acordo com suas vivências, em seu meio social e em suas relações com o outro.

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