quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Aprendizagem e desenvolvimento humano

Compreender o homem em todos os seus aspectos e complexidade, desde seu nascimento até seu mais alto nível de maturidade bem como os processos e mecanismos através dos quais a aprendizagem ocorre, é um desafio que tem resultado na elaboração de várias teorias.

O desenvolvimento humano nada mais é do que o conjunto de mudanças físicas e psicológicas que o sujeito passa no decorrer de sua vida; considerando as circunstâncias históricas, culturais e sociais, bem como as experiências e particularidades de cada um – história de vida. A aprendizagem pressupõe a capacidade de aplicar efetivamente o conhecimento adquirido na resolução de situações novas e problemas. Consiste na mudança de comportamento do sujeito. Abrange, além do aspecto cognitivo, aspectos afetivos e motores. A aprendizagem está presente todo o tempo na vida da pessoa, portanto não ocorre predominantemente na escola, existindo uma grande diversidade de situações extra-escolares e de contextos nos quais ela acontece. É, por excelência, construção e tomada de decisões.

Existe uma relação intrínseca entre o desenvolvimento humano e a aprendizagem, que ao longo do tempo foi explicada por vários teóricos sob diferentes prismas e posições.

A primeira delas foi a de Piaget, para quem os processos de desenvolvimento independem da aprendizagem. Para ele o desenvolvimento humano pode ser explicado mediante as relações interdependentes entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer, levando-se em conta o processo de maturação do organismo, a experiência com os objetos, a vivência social e, principalmente, a equilibração do organismo ao meio. Sua pesquisa abrange fundamentalmente os processos básicos como percepção, memória, atenção, pensamento e linguagem. Piaget acredita que o conhecimento tem início quando o recém nascido age, através de reflexos, assimilando alguma coisa do meio físico ou social.

Logo após vem Skinner, que acredita que o desenvolvimento humano se dá pelo acúmulo de todas as respostas do sujeito – uma resposta adquirida é considerada como uma forma mais complexa da resposta anterior ou substituição da mesma.

Os estudos de Koffa aparecem em seguida, afirmando que o desenvolvimento humano está baseado nos processos de maturação e aprendizagem, que se dá através de uma transferência de princípios durante a resolução de uma tarefa a várias outras tarefas.

A visão sócio-interacionista vem com Vygotsky que ressalta “a dialética e a importância da mediação histórica e cultural dos fenômenos psicológicos” (REGO, 2003, p.18). Para ele a aprendizagem possibilita o desenvolvimento. Chama a atenção para o envolvimento ambiental, destacando o papel da cultura, no desenvolvimento e no processo de formação da mente. Acredita que a aprendizagem não começa na escola, mas vem desde o nascimento. Assim, o conhecimento é decorrente da interação social e cultural e o sujeito, eminentemente social.

Todas essas teorias visam cada uma a seu modo, apenas um dos aspectos da complexidade e multiplicidade de fatores que influenciam o desenvolvimento humano.

Nas últimas décadas essa visão foi ampliada. Numa perspectiva integradora surgiram novos caminhos para a investigação, além de ter havido um avanço intelectual nas ciências comportamentais. Para Dessen e Costa Júnior (2005, p.35) os estudos atualmente realizados abrangem desde o “desenvolvimento precoce até o último estágio da vida – a velhice”, focalizando o desenvolvimento cognitivo e social. Segundo os estudos mais recentes é necessário que se considere:

[...] a dinâmica do curso de vida em sua totalidade, incluindo as gerações anteriores e posteriores; b. os indivíduos dentro de suas redes ou sistemas de interação social; c. o interjogo entre a bagagem genética e a adquirida; d. a dialética entre os sistemas biopsicossociais inseridos no contexto histórico-cultural e e. as influências bidirecionais presentes entre todos os sistemas envolvidos no processo de desenvolvimento humano. (DESSEN & COSTA JÚNIOR, 2005, p. 35)

Numa visão contemporânea, ainda segundo Dessen e Costa Júnior (2005, p. 38), é preciso valorizar as interações entre os fatores envolvidos – maturação física e neurobiológica, contextos de tempo e espaço, interações sociais e o ambiente – sabendo que “a interdependência desse fatores é que constrói os caminhos que o desenvolvimento humano segue no ciclo da vida.”

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