No mundo moderno com avanço da tecnologia, com o consumo exacerbado, com a cultura do êxito, surgiram novos paradigmas para a escola que, todavia, parece não ter acompanhado essa evolução e permanece parada no tempo. É a escola que ainda mantém a visão tradicional da disciplina – alunos sentados – e que acredita que essa disciplina favorece o processo de aprender. A escola que não promove a autoria de pensamento, que não respeita as diferenças de idéias e de opiniões, que não reconhece o direito às escolhas diferenciadas. Essa escola continua sendo geradora de fracasso escolar e, por conseguinte, de problemas de aprendizagem.
Ao longo da história tem-se tentado compreender todos os processos envolvidos na aprendizagem e como estes a influenciam positiva ou negativamente. Na visão da espistemologia convergente, assim denominada por Visca (1991), – fundamentada nas idéias de Piaget, da psicanálise e da psicologia social – a aprendizagem é um processo que depende dos aspectos energéticos e estruturais, implica em uma tematização, requer afetização com o objeto e transcende a afetividade uma vez que utiliza operações cognitivas.
A importância do professor nesse contexto é indiscutível. Ele é a cara visível da escola para a criança. É dele a responsabilidade de tornar a aprendizagem agradável, de fazer com que a criança se sinta capaz, de ajudá-la a acreditar em sua capacidade para aprender, de acolher aquele que sofre por acreditar-se rejeitado, de fazer com que as diferenças sejam entendidas com naturalidade e, acima de tudo, de ajudar a criança a resgatar a alegria de aprender, tão natural nas primeiras aprendizagens.
Uma vez instalado o fracasso escolar pode vir a se constituir num problema de aprendizagem reativo. Falta de motivação ocasionada por uma proposta desinteressante ou pelo autoritarismo do professor contribuem para que o problema se agrave.
O professor precisa estar atendo às vozes internas de seus alunos, precisa compreender seus idiomas mudos. É seu olhar diferenciado que fará toda a diferença na vida de seu aluno, que tantas vezes vem à escola carregado de angústias e de dores causadas pelo recalque de sentimentos e desejos, que para ele nunca poderão ser satisfeitos, pois “não consegue aprender”. O professor precisa identificar fatores, compreender os motivos, encontrar meios, e contagiar o aluno com sua racionalidade e alegria de ensinar sabendo que esta gera a alegria de aprender. E, a escola, por sua vez, precisa olhar para este professor e abrir, a ele, também os espaços de autoria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário